Do livro Laguna de 1880 (Saul Ulysséa), publicado em 1943:
CARROÇAS
Vista parcial do cais com o antigo mercado público. Ao fundo o casario comercial, o prédio Hoepcke e à esquerda deste o belo prédio que foi demolido para a construção do atual banco Bradesco. Foto do arquivo pessoal de Dalmo Mendes Faísca.
Para servir a população sómente existia carroça de duas rodas, pertencente a um preto de nome Manoel Figueiró.
Puxava-a, um burro de pelo lobuno, muito bem tratado.
Manoel Figueiró era muito estimado por todos devido à sua honestidade e bom humor. Êle só, dava conta de todos os carretos. Havia mais três ou quatro particulares, pertencentes a exportadores.
Carroças dágua, cinco ou seis que forneciam água à população a 40 rs. o póte. Não usavam latas, mas barris de madeira com arcos e asa de ferro, padronizados pela Câmara Municipal.
Os carretos para bordo dos navios eram feitas às costas dos escravos e carregadores livres a quem denominavam “cangueiros”. Como os depósitos eram na rua da Praia e nas proximidades dos trapiches não necessitavam carroças. Os cangueiros ganhavam 800 rs. por dia e trabalhavam de sól a sól, descançando ao meio dia para o almoço. Quando soava a primeira badalada do meio dia, na Matriz, ouviam-se os escravos e cangueiros proferirem com alegria:
Meio dia
Barriga vazia
Panela no fogo
Macaco torrado
Que vem da Baia.
Os depósitos das firmas Bessa, Ulysséa e Viana, tinham uma linha de trilhos para condução de cargas para os respectivos trapiches em vagonetes que carregavam de quinze a vinte sacos. Alguns senhores gratificavam os seus escravos que trabalhavam no serviço de embarque, no fim da semana, com 400 rs. ou 800 rs.
Vista da antiga Rua de Baixo, depois Rua da Praia e atualmente Rua Gustavo Richard. Foto e comentários recebidos de Gracinha.
Movimentação na Rua da Praia, provavelmente uma das famosas Festas de Navegantes da cidade. Foto recebida de Jairo Viana de Oliveira Jr.
Casa Brasil, em frente ao antigo mercado público. Percebe-se nesta foto que o mercado aqui já tinha sofrido o incêndio. Foto do arquivo de Dalmo Mendes Faísca.
Antigo mercado público. Foto do arquivo de Dalmo Mendes Faísca.
Antigo mercado público após o incêndio que o destruiu. De acordo com informações diversas, o Mercado Público foi construído no ano de 1897 e destruído pelo incêndio em 1939. Foto do arquivo pessoal de Dalmo Mendes Faísca.
Infelizmente tudo não está nos livros... Então, se você conhece detalhes, fatos da nossa Laguna, conte pra gente! Se alguém contou pra você, conte pra gente! Vamos partilhar com todos a emocionante história da Laguna!
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