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Com textos do livro Laguna de 1880 de Saul Ulysséa.


Grande movimentação à beira do cais. Deduz-se que seria devido a uma das belíssimas festas de Navegantes que aconteciam em Laguna. Foto do arquivo de Dalmo Mendes Faísca.



MOVIMENTO DA CIDADE

O movimento da cidade era pequeno, quer social, quer comercial.

Raramente uma carroça conduzindo carga.

Pouco movimento pedestre. A rua da Praia era a que apresentava algum pela manhã e à noite com frequezia que procurava as casas comerciais.

Não era costume as senhoras fazerem suas compras de dia: preferiam fazê-las à noite.

Quando havia urgência ou as famílias que queriam sair à noite mandavam buscar amostras, que todas as lojas tinham de todas as suas fazendas e de alguns objetos.



Vista da Rua da Praia. Data? Arquivo deste site.



ESPETÁCULOS

Como não havia cinemas, as diversões preferidas eram espetáculos e bailes. Seguidamente aqui chegavam boas companhias dramáticas e atores de nomeada.

Algumas sociedades organizavam espetáculos em seus salões.



Grande vista da Rua da Praia. Arquivo pessoal de Dalmo Mendes Faísca.




OUTRAS DIVERSÕES

Andavam pelas ruas, periódicamente, indivíduos com realejos e um macaquinho travesso, fazendo ginástica e tirando o chapéusinho para a assistência. Vestia o macaquinho, uma camisola com um cinco de côres berrantes. Era acompanhado de muitos garotos. O próprio mico saía a fazer coleta, com o chapéusinho na mão para recebê-la.

Os ursos. Não raro apareciam indivíduos com dois ou mais ursos domesticados fazendo piruetas. Eram êles seguros por correntes atadas a uma argola presa no focinho do animal.

Carrosel. O divertimento que mais seduzia os pequenos era o carrosel. Usavam um sistema para atraí-los: uma argolinha tendo uma fita pendente que era introduzida em um recipiente ficando só a argolinha de fóra. O garoto com um pequeno florete e com o carrousel em movimento, procurava introduzi-lo na argolinha, o que raramente acertava. Quando o conseguia retirando-a, era felicitado e ufanava-se com ela no florete, com a fita a “flutuar”. O prêmio era uma corrida gratuita, que custava 200 rs.



 Loja do "seu"  Cabral da Rua da Praia. Data? Arquivo deste site.



UMA DIVERSÃO EXTRA

Um espetáculo divertido e que despertava geral curiosidade, sendo entretanto gratuito, era a domação de cavalos.

Frequentemente passavam para o norte, vindas do Rio Grande, tropas de cavalos que paravam no Campo do Manejo, onde encontravam bom pasto. Ali reuniam-se os compradores e muitos curiosos.

Quando era vendido um animal, o que era comum, alí mesmo o ensilhavam e montavam, dando o primeiro galope.

Gozavam os assistentes de um espetáculo interessante e divertidíssimo, admirando a destreza do domador.

Já a corrida da cavalhada pelo campo e do laçador montado e o emprego do laço com mais ou menos destreza, distraia a todos.

A dificuldade do ensilhamento era grande devido a forte resistencia do animal chucro.

Depois a montagem, os corcóvos seguidos e o empacamento eram gozados. Não raro o animal conseguia deitar o cavaleiro por terra sob risos e vaias.




Casario comercial da rua da Praia. Data?Arquivo deste site.



TRABALHADORES

Muitos dos trabalhadores eram escravos assim como alguns marinheiros, mas, em sua maioria, homens livres.

O maior serviço era o de embarque para carregamento ou descarga dos navios.

Aos trabalhadores de paiól, davam o nome de “cangueiro”, como dissemos.

Não havia estivadores. O serviço era feito pelos marinheiros.

Para os pequenos carretos empregavam moleques ou trabalhadores de embarques.

Os operários em geral ganhavam pouco, em comparação com os preços de hoje.

Um bom oficial de pedreiros ou carpinteiro percebia 1$500 e 2$000 por dia, um servente $800 réis e 1$000, aprendiz 500 rs.

Entre os operários raramente se encontrava um escravo e êste entregava seu salário ao senhor, que lhe dava pequena gratificação.

Geralmente os escravos eram para servirem em casa de seus senhores.




Uma vista já mais distante do cais. Foto de Dalmo Mendes Faísca.




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