Raridade. Uma apresentação, à luz de velas – observe o detalhe -, de uma novena de Santo Antônio dos Anjos, data desconhecida. Na estante dos fundos, da esquerda para direita: Manoel Juvencio Fernandes (bombardino); Juceli (Churrasco) Vieira (trombone); Manoel (Manequinha) Cândido Pacheco; e Antônio (Cacique) dos Reis (contrabaixo). Na estante da frente, mesmo sentido: Claudiomiro Rosa (clarinete); Agenor dos Santos Bessa (clarinete); Arão Silvino Medeiros (trompete) e Hélio (Bananeira) Dias (violino). Foto e comentários enviados por Carlos Araujo Horn.
Nasceu Santo Antônio em Lisbôa no ano de 1195, recebendo na pia batismal o nome de Fernando. Era descendente de uma família francesa. Aos 15 anos entrou para o Convento dos Cônegos de Santo Augustinho e aos 25 com ordem do Prior vestiu o hábito de São Francisco, tomando o nome de Antônio. Seguiu logo para a África como missionário. Ali adoeceu, sendo obrigado a voltar para Portugal a fim de tratar-se e regressar, logo que seu estado permitisse. Quando seguia para a África devido a forte temporal foi o navio em que viajava, arrojado à uma praia na Sicilia. Nessa ocasião se reunia um capítulo geral de franciscanos em Assis ao qual compareceram 3.000 frades, tomando nele o frade Antônio. Terminado o capítulo seguiu com o Provincial de Romaga, ficando com a ocupação de celebrar missa em um pequeno convento próximo a Torli, onde teve vida obscura, porém cheia de ardor religioso, até que um dia teve de demonstrar os aflúvios de seu talento e a grandeza de sua oratória.
Foto do arquivo pessoal de Jairo Viana Duarte.
Assistia Antônio a ordenação de diversos religiosos, em Torli. Na falta de um pregador o Provincial ordenou Antônio que dirigisse palavras de edificação aos presbíteros. Foi tão sugestiva e grandiosa a alocução, que encheu de admiração a todos os ouvintes se revelando Antônio orador emérito. São Francisco reconhecendo seu valor nomeou-o “Lector de Teologia”. Foi depois mandado juntamente com São Domingos, como missionário, ao sul da França, para abrir campanha contra a seita religiosa dos albigenses. Voltou Antônio à Itália. Devido à sua fé inabalável, pregava em diversas cidades na Itália onde era admirado e respeitado. Indo a Roma em uma missão, pregou diante do colégio cardinalício demonstrando seus profundos conhecimentos da Escritura Sagrada. O Papa Gregório IV distinguiu-o em o título de “Arca dos dois Testamentos”.
Esta uma foto-montagem, para lembrança do Bi Centenário da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos, constando as datas de 1753-1953. Recebido de Carlos Araujo Horn.
Ficou na rica cidade de Pádua, desde 1230, onde era admirado pela sua caridade, virtudes e dedicação ao sacerdócio. O povo o adorava e o denominava “O Santo”. Foi por essa época que se deram os milagres atribuidos ao “Santo” o que era aceito pelos crentes e negados pelos ímpios. Durante sua existência foi sempre admirado e respeitado pelos fiéis que viam no frade português um verdadeiro santo. Contam um fato interessante que é registrado como verdadeiro, embora pareça uma lenda. Tal fato se deu com uma frota francesa, luterana, quando atacou a fortaleza luzitana de Arguins na África. Vinha a frota rumo ao Brasil em 1595 quando ao passar pela África atacou aquela fortaleza. Retiraram dali uma imagem de Santo Antônio e a conduziram para bordo de um dos navios, com o maior desrespeito e durante a viagem zombaram da imagem ao ponto de golpeá-la com espadas, mutilando-a. Depois de satisfeitos com as suas zombarias, deitaram-na ao mar, entre gracejos e dichotes.
Foto de J. Junior.
No mesmo dia desencadeou forte tempestade ocasionando o naufrágio de quasi tôda frota. Salvou-se sòmente a nau que conduzira por alguns dias a imagem até próxima a costa do Brasil. Esta nau desarvorada foi arrojada à costa, na altura de Sergipe. Foram os náufragos presos e conduzidos a pé para serem entregues ao governador da Bahia. Quando passaram por Itaporan, com grande surpresa, encontraram a imagem de Santo Antônio que haviam jogado ao mar. Afirma a tradição que o Santo estava de pé, à beira da praia. Os herejes ficaram impressionados com a inesperada aparição. A imagem foi conduzida por Francisco Dias d’Avila que colocou-a na Capela de seu solar.
Mais tarde foi transladada para a Igreja de Ajuda dos frades Capuchinhos, em São Salvador e posteriormente para o convento de São Francisco, onde se acha.
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