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Padroeiro da Laguna

                                              Saul Ulysséa (Coisas Velhas, 1946)

(continuação)


Raridade. Uma apresentação, à luz de velas – observe o detalhe -, de uma novena de Santo Antônio dos Anjos, data desconhecida. Na estante dos fundos, da esquerda para direita: Manoel Juvencio Fernandes (bombardino); Juceli (Churrasco) Vieira (trombone); Manoel (Manequinha) Cândido Pacheco; e Antônio (Cacique) dos Reis (contrabaixo). Na estante da frente, mesmo sentido: Claudiomiro Rosa (clarinete); Agenor dos Santos Bessa (clarinete); Arão Silvino Medeiros (trompete) e Hélio (Bananeira) Dias (violino). Foto e comentários enviados por Carlos Araujo Horn.



Nasceu Santo Antônio em Lisbôa no ano de 1195, recebendo na pia batismal o nome de Fernando.
Era descendente de uma família francesa.
Aos 15 anos entrou para o Convento dos Cônegos de Santo Augustinho e aos 25 com ordem do Prior vestiu o hábito de São Francisco, tomando o nome de Antônio.
Seguiu logo para a África como missionário.
Ali adoeceu, sendo obrigado a voltar para Portugal a fim de tratar-se e regressar, logo que seu estado permitisse.
Quando seguia para a África devido a forte temporal foi o navio em que viajava, arrojado à uma praia na Sicilia.
Nessa ocasião se reunia um capítulo geral de franciscanos em Assis ao qual compareceram 3.000 frades, tomando nele o frade Antônio.
Terminado o capítulo seguiu com o Provincial de Romaga, ficando com a ocupação de celebrar missa em um pequeno convento próximo a Torli, onde teve vida obscura, porém cheia de ardor religioso, até que um dia teve de demonstrar os aflúvios de seu talento e a grandeza de sua oratória.



Foto do arquivo pessoal de Jairo Viana Duarte.




Assistia Antônio a ordenação de diversos religiosos, em Torli.
Na falta de um pregador o Provincial ordenou Antônio que dirigisse palavras de edificação aos presbíteros.
Foi tão sugestiva e grandiosa a alocução, que encheu de admiração a todos os ouvintes  se revelando Antônio orador emérito.
São Francisco reconhecendo seu valor nomeou-o “Lector de Teologia”.
Foi depois mandado juntamente com São Domingos, como missionário, ao sul da França, para abrir campanha contra a seita religiosa dos albigenses.
Voltou Antônio à Itália.
Devido à sua fé inabalável, pregava em diversas cidades na Itália onde era admirado e respeitado.
Indo a Roma em uma missão, pregou diante do colégio cardinalício demonstrando seus profundos conhecimentos da Escritura Sagrada.
O Papa Gregório IV distinguiu-o em o título de “Arca dos dois Testamentos”.



Esta uma foto-montagem, para lembrança do Bi Centenário da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos, constando as datas de 1753-1953. Recebido de Carlos Araujo Horn.



Ficou na rica cidade de Pádua, desde 1230, onde era admirado pela sua caridade, virtudes e dedicação ao sacerdócio.
O povo o adorava e o denominava “O Santo”.
Foi por essa época que se deram os milagres atribuidos ao “Santo” o que era aceito pelos crentes e negados pelos ímpios.
Durante sua existência foi sempre admirado e respeitado pelos fiéis que viam no frade português um verdadeiro santo.
Contam um fato interessante que é registrado como verdadeiro, embora pareça uma lenda.
Tal fato se deu com uma frota francesa, luterana, quando atacou a fortaleza luzitana de Arguins na África.
Vinha a frota rumo ao Brasil em 1595 quando ao passar pela África atacou aquela fortaleza.
Retiraram dali uma imagem de Santo Antônio e a conduziram para bordo de um dos navios, com o maior desrespeito e durante a viagem zombaram da imagem ao ponto de golpeá-la com espadas, mutilando-a.
Depois de satisfeitos com as suas zombarias, deitaram-na ao mar, entre gracejos e dichotes.



Foto de J. Junior.



No mesmo dia desencadeou forte tempestade ocasionando o naufrágio de quasi tôda frota.
Salvou-se sòmente a nau que conduzira por alguns dias a imagem até próxima a costa do Brasil.
Esta nau desarvorada foi arrojada à costa, na altura de Sergipe.
Foram os náufragos presos e conduzidos a pé para serem entregues ao governador da Bahia.
Quando passaram por Itaporan, com grande surpresa, encontraram a imagem de Santo Antônio que haviam jogado ao mar.
Afirma a tradição que o Santo estava de pé, à beira da praia.
Os herejes ficaram impressionados com a inesperada aparição.
A imagem foi conduzida por Francisco Dias d’Avila que colocou-a na Capela de seu solar.

Mais tarde foi transladada para a Igreja de Ajuda dos frades Capuchinhos, em São Salvador e posteriormente para o convento de São Francisco, onde se acha. 


(continua na próxima página)


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