Do livro Coisas Velhas de Saul Ulysséa (continuação)
Festa de Santo Antônio dos Anjos de 1986. Foto enviada por Jairo Viana Duarte.
Faleceu pio Antônio em 1231, sendo seu corpo sepultado na Igreja de N.S. de Pádua. Houve uma verdadeira consagração ao estimadissimo frade. Seu túmulo foi visitado por inúmeras pessôas, não sòmente de Pádua, como de muitas outras localidades. Foi canonizado em 1256. Em 1263 ao ser exumado o corpo, verificaram que a lingua do Santo estava intacta. Foi retirada do corpo e nesse estado de conservação perfeita é até o presente exposta à devoção dos fiéis. Santo Antônio é um dos santos mais venerados pelos católicos e o padroeiro dos militares. Foi-lhe concedida pelo govêrno imperial do Brasil a patente de tenente coronel do Exército e figurava no almanaque militar com o nome de tenente-coronel Antônio. Recebia o soldo que era entregue ao Provincial do Convento de Santo Antônio no Rio de Janeiro. O govêrno do Império agraciou-o com a gran cruz de Cristo. É a cruz que costumam colocar na imagem, pendente de uma fita vermelha em volta do pescoço. Em diversas capitanias do Brasil foi concedida ao Santo patente do Exército. A Bahia em 1705 concedeu a patente de capitão e em 1870 a de sargento-mór e tenente coronel. Em São Paulo no ano de 1771 recebeu a patente de coronel das tropas da Capitania. Vila Bôa de Goiaz no ano de 1771 concedeu-lhe o posto de capitão de infantaria ligeira. Na capitania do Espírito Santo era soldado raso. Na Paraiba existiam duas imagens consideradas praças do Exército.
Foto de Jairo Viana Duarte.
A Bahia em 1705 concedeu a patente de capitão e em 1870 a de sargento-mór e tenente coronel. Em São Paulo no ano de 1771 recebeu a patente de coronel das tropas da Capitania. Vila Bôa de Goiaz no ano de 1771 concedeu-lhe o posto de capitão de infantaria ligeira. Na capitania do Espírito Santo era soldado raso. Na Paraiba existiam duas imagens consideradas praças do Exército. Na do Mato Grosso era capitão. Na de Pernambuco foi soldado e mais tarde promovido a tenente de artilharia. De tôdas essas patentes eram pagos os respectivos soldos aos conventos e irmandades. Na cidade de Vila Rica, depois Ouro Preto, houve uma estravagante proibição vinda de Portugal, dos pretos entrarem nas Igrejas! Tinham êles o seu templo consagrado a Santa Efigênia e quizeram um Santo Antônio, porém preto como São Benedito. Esculpiram um de jacarandá cabiuna e obtiveram para êle as divisas de cabo.
Santo Antônio é amado é em todas as fés, assim o prova o sentimento ecumênico que o segue nas ruas da Laguna e de todo o Brasil. Festa de Santo Antônio dos Anjos. Foto do fotógrafo Gê.
É crença popular que Santo Antônio é o protetor dos casamentos e as namoradas apelam para o taumaturgo, sempre que sobrevivem qualquer impecilho ao seu noivado. Acreditam que na casa em cuja frente parar o Santo durante a procissão, é sinal evidente de que naquela casa se realizará em breve um casamento. Muitas são as promessas para a consecução de desejos matrimoniais e muitos crentes rezam ou mandam rezar responsos a Santo Antônio para serem encontrados objetos perdidos. Tudo isso conseqüência de um reflexo da bondade do venerando taumaturgo, na alma e no coração dos crentes. É padroeiro da Laguna e o seu nome foi dado à lagôa que banha a cidade. O que não consegui saber apesar de muitos esforços, é a razão porque o Santo Antônio de Lisbôa ou de Pádua, se dá a denominação – dos Anjos. Tal denominação, que me conste – não se encontra senão no santo padroeiro da Laguna. Tendo consultado vários eclesiásticos de diversas paróquias, regulares e seculares, sem que saibam explicar. Um frade de um convento de Santo Antônio ficou de obter informações do abade de seu convento. Nunca respondeu, o que faz supor que o próprio abade ignora.
O fotógrafo se deixa fotografar com Santo Antônio. Foto recebida de Geraldo Cunha (Gê).
Santo Antônio passa e abençôa a cidade. Laguna se orgulha de tê-lo como padroeiro. Foto de Gê (Geraldo Cunha).
Santo Antônio, sempre cercado de flores e fiéis.
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