O texto que segue foi uma pesquisa de Mirella de Jesus Honorato, Soeli Regina Huk e alunos do curso de Turismo para a festa de 2006.
As fotos são de Geraldo Cunha (Gê) e retratam a Festa de 2007.
Santo Antônio nasceu em Lisboa, provavelmente no dia 15 de Agosto de 1195, descendente de família rica e aristocrática. Morreu nas vizinhanças da cidade de Pádua, também Itália, em 1231; por isso recebendo o nome de Antônio de Lisboa ou de Pádua. O batismo lhe foi administrado na Catedral Românica, que se erguia na frente de sua casa, na fonte ainda hoje conservada, recebeu o nome de Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo, nome de origem visigoda, difundidíssimo na Península Ibérica, que se significa mais ou menos: “ardoroso da paz”, no qual o Santo colocará plena fé todos os dias de sua vida. Quanto aos pais, não se sabe muito mais que o nome do pai, Martinho, cavaleiro do rei Afonso I, e mesmo assim com certas dúvidas.
Bem depressa o ensinamento familiar se revelou insuficiente para a inteligência viva e precoce do menino. Naquele tempo não existiam escolas estatais como em nossos dias. As únicas escolas eram as que surgiam junto aos mosteiros e igrejas catedrais e a freqüência a elas não era obrigatória. Lá ensinavam monges ou sacerdotes, de modo que, ao lado da língua latina e noções de historia e ciência, administrava-se sólida instrução religiosa. O conhecimento das verdades da fé procedia harmoniosamente com o estudo das realidades humanas.
Os jovenzinhos da escola episcopal, como é natural, prestavam serviços durante as cerimônias sacras como coroinhas. Aos pés do altar, o rapaz começava a descobrir as realidades mais simples, misteriosas e grandes da vida humana: os batismos, os funerais, os esponsais as ordenações sacerdotais..... Nascer, amar morrer. O olhar ainda límpido, a mente ainda tenra, o sentimento religioso ainda virgem, ao entrar em contato com os momentos culminantes da vida, reúnem experiências inesquecíveis, adquirindo uma sensibilidade e uma profundidade que nenhuma ação educativa, embora sagaz, jamais poderá comunicar.
Ao lado da catedral de Lisboa, havia a escola episcopal, onde jovem, ingressou (no início de 1210), na Ordem dos Cônegos Regulares, foi lá que à sombra dos muros pétreos e austeros da catedral ele começou a sua vida de estudos. Cercado de um despreocupado enxame de companheiros, provenientes, como ele, das mais distintas famílias da cidade. Mais tarde, pede transferência de Lisboa, para se aprofundar mais em seus estudos e na fé cristã. Parte para Coimbra, lá fez seus estudos filosóficos e teológicos, onde também foi ordenado sacerdote em 1219.
“Tinha uma inteligência aberta, um coração ardente de zelo, desejando se engajar em algo de empolgante”.
Apareceram naqueles anos, em Portugal, os primeiros frades franciscanos (discípulos de São Francisco de Assis), que pedem alojamento no mosteiro onde está Antônio. Este os conhece e, passa a admirar-lhes o desprendimento e o zelo com que tratam de divulgar a palavra do Senhor. Os Frades estão a caminho do Marrocos. Pouco tempo depois, têm-se a notícia de que os cinco frades foram mortos. Antônio sofre com a perda dos frades que conhecera e, sentiu arder em seu coração um grande desejo de imitar os gestos dos mártires, em pregar o Evangelho aos mouros, e, decidindo entrar para as fileiras dos franciscanos. Estes religiosos, junto com os dominicanos, levaram uma vida religiosa diversa da tradicional: uniam a vida do claustro com as exigências de apostolados pelos povoados e cidades. Eram, portanto, considerados frades itinerantes. Em total pobreza, vestidos com seu austero hábito, viajando a pé, percorriam as estradas do mundo levando uma mensagem viva e evangelicamente questionadora.
Antônio pede então para compor as fileiras dos frades de São Francisco de Assis, que liberado de sua abadia, faz os votos dos franciscanos, toma o seu hábito e entrega-se as desígnios de Deus, adotando o nome de Frei Antônio.
Antonio pediu para pregar o Evangelho em Marrocos, mas logo chegando lá, uma enfermidade o obrigou a voltar para a pátria. O navio de volta para Portugal foi açoitado furiosamente pelos ventos que o empurravam em direção à Itália. Desembarcou na ilha de Sicília, tomando o rumo para Assis, a fim de se encontrar com São Francisco. O Santo fundador, reconhecendo em Antônio uma profunda Ciência Teológica, encarregou-o de lecionar esta disciplina aos frades em Bolonha. Ficou pouco tempo neste cargo, pois Antônio se revelou exímio pregador e conhecedor das sagradas escrituras e da teologia, de tal forma que a pregação tornou-se seu principal campo de ação. Os franciscanos eram pregadores populares; em geral, severos moralistas que alertavam contra as novas formas de corrupção que o luxo e a competição da vida citadina vinham inoculando nos costumes. Seus sermões tornaram-se tão apreciados e tão convincentes que Antônio pregava em praça pública para poder ser ouvido pelo grande auditório que as igrejas não comportavam. Havia também perigosa infiltração de doutrinas heréticas, como a dos cátaros e albigenses, em relação aos quais era necessário prevenir e catequizar o povo simples. Viajou em muitas regiões da Itália setentrional e, por três anos, andou pelo sul da França, onde se encontrava o foco das heresias.
Os milagres que Deus fez por seu intermédio foram tão grandes e tão numerosos e tantas as conversões pela sua pregação, que foi denominado pelo povo, de “Martelo dos Hereges”.
Em 1121, participou da assembléia geral dos franciscanos, chamada Capítulo das Esteiras, pois os frades, em cinco mil, dormiam em esteiras no relento.
Neste capítulo, ele foi eleito provincial dos franciscanos do norte da Itália: tinha só 26 anos de idade. Ao terminar a quaresma de 1231, muito doente, foi recolhido ao retiro do Campo de São Pedro em Pádua. A 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos, recebeu os sacramentos, entoou um hino a Nossa Senhora e fitando um ponto disse sorrindo: “Vejo meu Senhor”. E morreu placidamente. Continuou seu apostolado da palavra até à morte.
Mas era tanto sua celebridade, sua fama de pregador milagroso, que dez meses depois da morte foi levado às honras dos altares e mais tarde, recebeu da igreja o Glorioso Título de Doutor.
O sepulcro de Santo Antonio de Pádua com sua magnífica basílica romântica converteu-se imediatamente em centro de peregrinações, até os nossos dias.
De fato, com o decorrer do tempo, Santo Antonio foi alvo de devoção surpreendente. O folclore brasileiro e italiano é rico em alusões aos poderes milagrosos do santo, em questão de casamento, de encontro de coisas perdidas, etc. Mais importante que tudo isso é a caridade para com os necessitados, feita em honra de Santo Antônio, através da instituição conhecida como “pão de Santo Antônio”, que é um gesto que perpetua o espírito de caridade para com os pobres, tão generosamente vivido pelo nosso Santo.
“Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres, não te deixes encantar; não te apegues a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como serpentes”.Santo Antônio.
Você é a pessoa que pode nos ajudar a contar a história da nossa cidade! Envie fotos, conte histórias, conte o que sabe! Laguna merece que sua história não seja esquecida.
Se você sabe histórias, tem fotos do nosso Padroeiro, envie, participe! Aguardamos no email coracional@bluewin.ch