O texto que segue foi uma pesquisa de Mirella de Jesus Honorato, Soeli Regina Huk e alunos do curso de Turismo para a festa de 2006.
FESTA DE SANTO ANTÔNIO ONTEM...
Tem início na época colonial. As primeiras festas eram apenas procissões no dia do padroeiro. Com muito fervor e muita fé as pessoas reuniam-se na igreja para venerar Santo Antônio dos Anjos. A imagem era carregada junto na procissão para abençoar a vila local. A mesma era realizada no dia 13 de junho. Não se sabe ao certo a data da 1ª realização da procissão e da festa. A 1ª Juíza da Festa (festeira) foi Dona Páscoa Gonçalves Ribeiro no século XIX. A partir de 1907, a festa começou a ter dois casais de festeiros, já em 1968, três casais e a partir de 1969 quatro casais, aumentando o número gradativamente. Em 1905, não houve procissão por falta de recursos para a realização da festa (Até 1904, os gastos com a procissão eram por conta do provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio (fundada em 13 de julho de 1753). A partir de 1912 (aproximadamente), começaram a existir as barraquinhas de comércio, que durante os treze dias da festa são montadas na praça da Matriz (Jardim Calheiros da Graça).
Festa de Santo Antônio nos anos 90. Foto de Gê.
A FESTA DE SANTO ANTÔNIO HOJE...
Cartaz da Festa de 2008 enviado por Carlos Araujo Horn. / Inicia-se no dia 1º e transcorre até o dia 13 de junho de cada ano. Para a festa são convidados festeiros, que são casais responsáveis pelo planejamento e andamento da festa. Uma das características é que nunca são convidados marido e mulher (devido ao gasto da família, tempo). Na última trezena, são conhecidos os novos festeiros, que são escolhidos pelas pessoas ligadas à nossa igreja, em segredo, sendo somente revelado no último dia no final da celebração. A retirada da imagem do altar para a procissão e a festa é cercada de muita pompa e tradição. A mesma pesa em torno de 250 kg, e precisa sair sobre duas pranchas de madeira puxada, com muito cuidado. Em seguida, é colocada sob o andor, é limpa pelos irmãos e alguns fiéis. É retirado o menino Jesus que se encontra sob o livro para ser limpo e suas vestes são substituídas. Seu esplendor e cruz também são tirados para serem limpos. A fita vermelha que sustenta o crucifixo é substituída, e a antiga é cortada e distribuída entre os festeiros e fiéis. Também é substituído o crucifixo, pois o original somente é colocado na imagem por ocasião da festa. É cravejado de pedras e é guardado em cofre por medida de segurança. Também é retirada a sua mão direita para que nela sejam colocados os pedidos dos fiéis, também são colocados em seu capuz e ali permanecerão até o ano seguinte, e os retirados do ano anterior são queimados. Após toda a preparação da imagem, a mesma é acondicionada sobre o andor e é colocada em um lugar de destaque onde permanecerá até o final da festa.
A festa inicia dia 1º de junho sendo que a primeira obrigação dos festeiros é organizar sempre sob a supervisão da Irmandade a SERENATA DOS FESTEIROS, que consiste em uma procissão rápida pela cidade de carro, com a imagem que se julga ter sido trazida por Domingos de Brito Peixoto na época da fundação de nosso município (Santo Antônio – pequena – 73 cm). Esta pequena procissão acontece no dia treze de junho e o percurso preferencial é o de passar pelas casas dos festeiros, e a finalidade é de anunciar o início das festividades. Nos dias de festa, acontece com presença dos festeiros obrigatoriamente , as chamadas trezenas de Stº Antonio (que são treze dias de novenas), que é uma celebração litúrgica, toda ela em latim, onde o pároco e o coral interagem nas orações. A seqüência é o seguinte:
1) Pároco, festeiros e pajem vão até a porta da igreja para recepcionar os mordomos (que são pessoas convidadas pelos festeiros para terem um lugar de destaque na celebração e poderem ganhar uma lembrança da festa).Estas pessoas são conduzidas até os seus lugares na igreja. Geralmente os mordomos recebem um envelope para doações para a igreja, os mesmos são lacrados e entregues no dia da novena.
2) Inicia-se a celebração com o cântico da ladainha em latim, logo após uma pessoa convidada irá falar sobre alguma passagem da vida de Stº Antonio, para finalizar é dada as bênçãos sobre os pães distribuídos na entrada e as lembranças distribuídas durante a celebração.
3) Logo após é retirado do sacrário, o Santíssimo Sacramento para ser exposto incensado e mostrado ao povo para sua bênção, sendo então conduzindo novamente ao sacrário para ser guardado, chegando assim ao fim esta celebração.
Santo Antônio dos Anjos. Festa de 2009. Foto de Maria de Fátima Barreto Michels.
Após cada celebração começam os shows, na rua em frente a matriz e no Centro Cultural. Também é destaque a parte gastronômica, com a venda de pinhão, quentão, churrasco, cachorro quente e etc.... O sábado mais próximo do dia treze acontece a Transladação da imagem do Santo Antônio, aquela que está a mostra no altar da igreja, que a cada ano sai dos bairros Magalhães e Progresso, sempre alternando, em procissão a pé pelas ruas principais de nossa cidade em direção à Igreja Matriz, no centro, acompanhada pelas duas bandas existentes na cidade: Carlos Gomes e União dos Artistas. Durante este trajeto é tradicional serem usados uma quantidade muito grande de fogos de artifício pela população que individualmente em conjunto com outras pessoas montam verdadeiras baterias de fogos, com a finalidade de reverenciar e homenagear nosso padroeiro. Com a chegada na matriz acontece a grande queima de fogos, esta contratada pelos festeiros. A transladação é sempre acompanhada pelo governador do estado e sua comitiva. Antigamente, após a procissão, o santo voltava à Igreja e tinha a missa, e só após ocorria a queima de foguetes. Hoje a procissão faz as paradas em esquinas e casas dos festeiros, e por onde ela passa é acompanhada de fogos de artifício. Quando a procissão está chegando à Igreja ocorre uma grande queima de fogos.
Caminho para Santo Antônio. Festa de 2009. Foto de Maria de Fátima Barreto Michels.
No dia 13 de junho acontece uma missa festiva às 10 horas, onde serão empossados os novos irmãos da Irmandade. Na parte da tarde acontece uma nova procissão, esta é feita a pé e no centro histórico, onde a imagem percorre as ruas do centro, virando de frente para a Fonte da Carioca para abençoar a nossa água, nas casas dos irmãos enfermos, na casa do provedor da irmandade, e para a lagoa, abençoando-a. No domingo após a transladação acontece a procissão motorizada que ocorre na parte da tarde pelas principais ruas da cidade, terminando à frente da matriz com a bênção dos carros e distribuição de lembranças. É feita com a imagem que se fez a serenata (imagem do Sto. Antônio pequena), sendo recepcionada pela imagem grande. A responsável maior pela festa de Santo Antônio é a sua Irmandade (fundada em 1753). Nas últimas décadas a tradicional festa religiosa vem superando as demais. A cada 13 de junho a Festa do padroeiro atrai católicos de toda parte. As ruas tornam-se demasiadamente pequenas para os milhares de fiéis que acompanham a imagem por toda a cidade. A transladação e procissão de Santo Antônio são famosas pela queima de fogos. Os lagunenses ausentes da cidade procuram sua terra natal durante os festejos que começam em 1º de junho com as trezenas cantadas pelo coral e orquestras, com músicas especialmente compostas. A veneração pela imagem de Santo Antônio é tida com muita fé: acham-na às vezes triste, outras vezes alegre. Excessivamente pesada quando contrariado ou espantosamente leve quando satisfeito. Enfim, a Festa de Santo Antônio é palco de muitas emoções, principalmente quando de sua entrada triunfal à Igreja.
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